The others – O outro lado do terror

Pela minha experiência, “The others” é um daqueles filmes que vemos, e, dias depois, ele continua a projetar-se na nossa mente. Felizmente! O género de terror é o meu favorito. Vi centenas de filmes de terror, e, talvez por isso quase não goste de nenhum. O tempo e a experiência tornaram-me exigente.

Se no princípio procurava a adrenalina que um filme de terror tradicional provoca com os sustos, cenas violentas e sangrentas, hoje aprecio muito mais o terror menos explícito. Pegar numa câmara e gravar cenas violentas com gritos de canto a canto e adicionar uma música frenética é fácil. Difícil é tornar um filme assustador fazendo da sugestão o seu meio principal.

The others é bom por fazer isso mesmo, pois constrói o seu enredo de uma forma sólida deixando, aqui e ali, sugestões ao espectador sem lhe dizer demasiado, envolvendo-o numa atmosfera quase claustrofóbica, fria e solitária, acompanhada de personagens igualmente bem construídas.

Em 1945, algures em New Jersey, Grace e os seus dois filhos que sofrem de uma doença extremamente rara vivem numa mansão isolada do resto do mundo por um nevoeiro inexplicável, quando três empregados se apresentam ao serviço pouco depois de os anteriores serventes de Grace terem abandonado a mansão sem aviso. A partir daí, acontecimentos cada vez mais estranhos fazem Grace acreditar que a sua cada está assombrada.

Este é, basicamente, o enredo. Bastante simples, aparentemente até uma história já muito contada por Hollywood. Aí é que está o génio de Alejandro Amenabár. Este realizador soube fazer um filme de fantasmas ao contrário e vira totalmente o jogo no fim do filme com maestria, num dos “Plot Twists” mais incríveis do cinema.

Para um filme de terror, não é o que muitas das pessoas possam esperar. E deixo o aviso: não vão haver oceanos de sangue nem sustos de morte, mas antes uma história fenomenal, interpretações magníficas, uma atmosfera bem sinistra e um filme que vos vai ficar na cabeça deixando a vontade de o voltar a ver.