Ele não está tão afim de você

Recomendo esse filme por várias razões, mas a principal delas é o jeito que me tocou. Acredito que isso se deve a realidade com que os personagens foram trabalhados em tal obra.

O filme aborda histórias diferentes, mas que de alguma maneira se ligam, temos um casamento que parece ser perfeito, porém é repleto de mentiras e traições, também está entre os personagens o cara na friendzone, a mulher que só sabe se relacionar virtualmente (ISSO É TÃO BLACK MIRROR HAHAHA). Entre tanto a personagem com quem mais me identifico, é a Gigi, ela tem diversos dramas comuns quando se trata de relacionamentos, a mesma coisa de sempre: o encontro perfeito, ela já começa imaginar os filhos e o modelo de vestido do casamento, mas o cara não liga e ela se convence que ele ta ocupado, mas que gosta dela, depois de uma semana que ele está viajando, depois de um mês que ele perdeu o número dela, então ela esquece e recomeça o processo com outra pessoa. A todo momento ela cai na cilada que é ensinada a nós mulheres, tudo que um homem faz é um “sinal” que estamos sendo correspondidas, mesmo que seja algo totalmente grosseiro e que nos machuque, buscamos sempre um meio de “perdoar” e acabamos por cair naquela famosa frase “ele é assim, mas gosta de você”.

Um belo dia Gigi conhece um rapaz chamado Alex, ele é um típico “pegador”, começam uma amizade e ele tenta ensinar a moça que quando uma pessoa gosta de você ela corre atrás, liga, e deixa claro isso, explica também que as mulheres estão sempre procurando sinais e meios para acreditar piamente que o homem está tão afim quanto ela, mas a vida não é conto de fadas e as coisas são mais simples do que ela pensa, se um cara não liga é porque ele não quer ligar, se ele não diz que gosta de você é porque não gosta.

Durante a trama vemos a desconstrução dela, e quando achamos que finalmente ela se convenceu que todo o melodrama que rodeia a sua vida amorosa é socialmente imposto a nós mulheres, ela cai mais uma vez na sua própria cilada. Enquanto acompanhamos a vida da Gigi em busca do “amor verdadeiro”, também vemos duas mulheres que amam o mesmo homem percebendo o quanto podre ele é, e principalmente que não dependem dele para ser feliz, afinal “talvez o final feliz seja apenas seguir em frente”.

Esse filme me surpreendeu, pois ele critica uma série de regras sociais. A idéia de casamento, amor verdadeiro, sexo, amizades, meios de relacionamento, entre varias outras questões e apesar do final da história da Gigi ter me decepcionado um pouco, acho a proposta valida. Sempre que preciso me convencer que relações são simples e que as regras sociais que nos são imposta não vale de nada eu revejo.

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The others – O outro lado do terror

Pela minha experiência, “The others” é um daqueles filmes que vemos, e, dias depois, ele continua a projetar-se na nossa mente. Felizmente! O género de terror é o meu favorito. Vi centenas de filmes de terror, e, talvez por isso quase não goste de nenhum. O tempo e a experiência tornaram-me exigente.

Se no princípio procurava a adrenalina que um filme de terror tradicional provoca com os sustos, cenas violentas e sangrentas, hoje aprecio muito mais o terror menos explícito. Pegar numa câmara e gravar cenas violentas com gritos de canto a canto e adicionar uma música frenética é fácil. Difícil é tornar um filme assustador fazendo da sugestão o seu meio principal.

The others é bom por fazer isso mesmo, pois constrói o seu enredo de uma forma sólida deixando, aqui e ali, sugestões ao espectador sem lhe dizer demasiado, envolvendo-o numa atmosfera quase claustrofóbica, fria e solitária, acompanhada de personagens igualmente bem construídas.

Em 1945, algures em New Jersey, Grace e os seus dois filhos que sofrem de uma doença extremamente rara vivem numa mansão isolada do resto do mundo por um nevoeiro inexplicável, quando três empregados se apresentam ao serviço pouco depois de os anteriores serventes de Grace terem abandonado a mansão sem aviso. A partir daí, acontecimentos cada vez mais estranhos fazem Grace acreditar que a sua cada está assombrada.

Este é, basicamente, o enredo. Bastante simples, aparentemente até uma história já muito contada por Hollywood. Aí é que está o génio de Alejandro Amenabár. Este realizador soube fazer um filme de fantasmas ao contrário e vira totalmente o jogo no fim do filme com maestria, num dos “Plot Twists” mais incríveis do cinema.

Para um filme de terror, não é o que muitas das pessoas possam esperar. E deixo o aviso: não vão haver oceanos de sangue nem sustos de morte, mas antes uma história fenomenal, interpretações magníficas, uma atmosfera bem sinistra e um filme que vos vai ficar na cabeça deixando a vontade de o voltar a ver.

Clube dos cinco

Neste post vou falar um pouco sobre um filme (cinema também é arte, meu povo) dos anos 80, uma comédia dramática: The Breakfast Club (Clube dos Cinco, no Brasil).

The Breakfast Club mostra um sábado qualquer em que cinco jovens de “tribos” diferentes vão para a detenção por mau comportamento. Até aí parece um filme adolescente bobinho, certo? Daqueles que eles se conhecem melhor e descobrem que são mais parecidos do que pensavam, e tudo acaba bem no fim. Bom, não é bem assim. The Breakfast Club excedeu e muito minhas expectativas!

Nunca pensei que com dezenove anos fosse gostar de um filme de Ensino Médio Americano, mas o drama inserido, tratando desde problemas familiares a escolares, é capaz de fazer muito adulto se identificar. Com citações profundas e muita empatia envolvida, entrou na minha lista de preferidos.

É um clássico do diretor John Hughes, que foi escrito em apenas dois dias, e os atores ficaram muito livres para improvisar, sendo que eles mesmos é quem inventaram os motivos das detenções de seus personagens!

Se você ainda não se convenceu: teve 89% de aprovação do Rotten Tomatoes e foi escolhido pela revista Empire como um dos “500 melhores filmes de todos os tempos”, além de ter ganhado um premio pela MTV.

No mais, se eu tivesse que recomendá-lo usando uma palavra só, seria: profundo.

Comentem por favor caso assistam e, se já assistiram, sintam-se livres para adicionar suas impressões também.

Spirit, o corcel indomável

Eu preciso contar uma coisa pra vocês: Spirit, o corcel indomável é o melhor filme que existe na face da Terra.

Ok, talvez essa seja apenas a minha opinião mas eu vou explicar o porquê de eu ter certeza absoluta disso.

Vamos começar com a história. Spirit é um corcel que ama a liberdade que tem de correr por ai e viver feliz com sua família, até que um dia homens maus e horríveis o sequestram e tentam o domar, coisa que é impossível já que ele é indomável. Lá ele conhece um índio, não gosta dele de primeira mas eles conseguem fugir juntos e se ajudando. O índio acaba levando ele pras suas terras o que não deixa o Spirit feliz e tenta domar, não consegue, vê que ele nasceu realmente pra ser livre e liberta ele. Quando está saindo as terras do índio são atacadas pelos homens maus e horríveis e Spirit volta pra poder procurar a égua do aborígene, por quem estava apaixonado. Ele acha mas os dois caem em uma cachoeira e ela fica bem mal. Spirit é capturado pelos homens chatos e fica chateado, não querendo mais fugir e aceitando aquela vida, até que ele vê que esses homens estão indo pra sua terra natal, aonde vive sua família. Ele faz umas bagunças lá, consegue fugir e libertar todos os outros cavalinhos mas se mete em uma encrenca e mal consegue sair, mas o índio aparece do nada e salva ele. O resto é o final do filme e eu não vou contar né, já até falei demais.

Agora que vocês sabem a sinopse que eu contei incrivelmente bem, eu vou explicar do porquê desse filme ser meu amor.

Ele fala que às vezes a gente desanima mas por certos motivos vale à pena reunir todas as forças, que talvez nem existam mais, e lutar. Ele fala sobre amizade e como amizades às vezes podem vir das pessoas em que menos achamos que íamos gostar. Ele fala sobre família e proteção. Mas, principalmente, ele fala sobre liberdade.

Ele fala sobre amar a liberdade. Sobre amar correr aos ventos e sobre querer ser feliz com aquilo que se ama. Ele fala que ninguém pode e nem deve te prender, que isso não é certo. Ele fala que a vida é linda e a gente não deve desistir daquilo que a gente mais quer.

Esse filme me ensinou sobre a liberdade, a valoriza-la e respeita-la. A saber usa-la. Mas, principalmente, ele fez com que eu me apaixonasse por ela.

É graças a esse filme que eu sou e estou sempre tentando ser um espírito livre, um alguém que domina a própria vida, que faz suas próprias escolhas. Um alguém que aprendeu a lutar por aquilo que acredita, acima de qualquer coisa. Pode parecer idiota mas a sociedade ensina a gente a não ser assim, ela tenta fazer a gente acreditar no contrário, ela tenta fazer com que nós sejamos esse oposto.

E por ter aprendido tudo isso eu só tenho a agradecer a esse filme – e a minha mãe, claro, porque ela também me ensinou essas coisas e foi graças a ela que consegui ter esse olhar sobre ele. E esse é o motivo de eu amar tanto o Spirit e afirmar com toda a certeza do mundo que ele é o melhor do universo.

Uma pequena obs: as músicas dele são incrívelmente maravilhosas e ouvi-las dá vontade de chorar de felicidade enquanto canta gastando toda a sua garganta. Ouve só! E vê o filme, mesmo se já tiver visto vê de novo, com esse novo olhar que eu possivelmente te mostrei, e me conta o que achou.